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DS Nº8 2026: A Joia da Coroa ou Mais Um Crossover Elétrico Comum?
Com quase duas toneladas e um custo que beira os R$ 400.000, o DS Nº8 surge como o grande manifesto da DS Automobiles para se consolidar no nicho premium. Impulsionado pelo audacioso plano “Fastlane” da Stellantis e ancorado na plataforma STLA Medium (a mesma do Peugeot e-3008 e e-5008), este SUV cupê elétrico tem a missão de enfrentar rivais fortíssimos como Audi Q6 e-tron, BMW iX3 e Polestar 4. Mas, diante das novas divisões de mercado da Stellantis que colocam a DS no terceiro escalão, será que o Nº8 tem o charme e a sofisticação para desafiar os gigantes ou ficará apenas como uma promessa discreta?
DS Nº8 2026: A Elegância e o Drama do Novo SUV Elétrico
Desde o lançamento de suas primeiras plataformas, a Stellantis tem sido criticada por criar uma estrutura hierárquica que deixa marcas como a DS em desvantagem. O plano “Fastlane”, apesar dos 50 bilhões de libras investidos, prioriza Fiat, Jeep, Peugeot e Ram como marcas “globais”, rebaixando a DS a um papel de “especialidade”, gerenciada pela Citroën. Esta reestruturação, anunciada em maio de 2026, levanta questões importantes sobre o futuro internacional da marca.
O DS Nº8, lançado em resposta aos desafios de mercado, é a tentativa da DS de se firmar entre as marcas premium europeias. No entanto, a chegada deste SUV elétrico reforça a posição marginal da DS no grupo Stellantis. A arquitetura STLA Medium, que gerou diversos modelos elétricos de volume, coloca a DS no fim da fila, um lugar inaceitável para uma marca que se posiciona no segmento de luxo.
Este modelo é um crossover SUV de porte médio, com 4,82 metros de comprimento, competindo diretamente com o Polestar 4, BMW iX3 e Volvo EX60. A linha de cintura alta, a área envidraçada restrita, o teto inclinado no estilo “fastback” e as luzes de posição LED “lightblade” buscam criar uma identidade diferenciada, enquanto as opções de pintura bicolor e o painel de grade iluminado “DS Luminascreen” reforçam o apelo estético.
Performance e Dinâmica de Condução
O DS Nº8 utiliza a plataforma STLA Medium para veículos elétricos, disponível em versões com um ou dois motores. A versão de entrada, com tração dianteira, possui uma bateria NMC de aproximadamente 74 kWh de capacidade útil e 256 cv de potência. A potência máxima de “overboost” (disponível por breves instantes) chega a 97,2 kWh. Os modelos Long Range com tração dianteira oferecem 97,2 kWh de capacidade utilizável e 276 cv, com autonomia declarada de até 750 km (ciclo WLTP). Já o modelo topo de linha com tração integral oferece 370 cv no “overboost” e 510 Nm de torque, com autonomia estimada em até 687 km.
Em testes de performance, o DS Nº8 atingiu 96 km/h em 7,9 segundos e 100 km/h em 8,3 segundos. Embora não seja um carro projetado para máxima aceleração, ele é fácil de dirigir e controlado, beneficiado por um pedal de freio que se move fisicamente conforme o carro desacelera, oferecendo uma sensação de linearidade.
Design e Estilo: O Charme Incomum da DS
A busca por diferenciação é a assinatura da DS Automobiles, e o Nº8 não foge a essa regra. O design busca romper com o conservadorismo do grupo Stellantis, sem se render a paródias retrô do icônico DS19 de 1955.
Estilo Exterior
A linha de cintura robusta, o volume da carroceria e as luzes de posição em LED “lightblade” criam uma silhueta distintiva. O teto inclinado estilo “fastback” reforça a proposta esportiva, enquanto as rodas de 19 polegadas podem ser opcionais para modelos de gama superior, visando maior conforto de rodagem. A arquitetura da plataforma resulta em uma distribuição de peso frontal, com tração dianteira como padrão.
Design Interior
O interior é o ponto alto do DS Nº8, combinando materiais sofisticados com elementos de design arrojados. O volante “quártico”, com raios diagonais, é o elemento central do cockpit, proporcionando uma pegada firme e intuitiva, diferentemente dos pedais que oferecem uma sensação de progressividade mais consistente do que em outros veículos elétricos. A ausência de raios na posição “quatro horas” facilita a movimentação da mão.
No entanto, a economia de componentes físicos em prol das telas touch (especialmente para o controle de climatização) pode frustrar alguns usuários. O sistema multimídia, embora mais intuitivo que em outros modelos DS, apresenta ícones da barra de ferramentas superiores pequenos e de difícil alcance. A proposta de um veículo de luxo busca transcender considerações pragmáticas, mas o Nº8 falha em oferecer o espaço e a funcionalidade esperados em um carro deste porte.
Espaço e Praticidade
Embora o porta-malas tenha 620 litros de capacidade, o design afunilado da tampa traseira limita sua utilidade, tornando-o menos versátil que os rivais. Os bancos traseiros oferecem 720 mm de espaço para pernas e 900 mm para altura, aquém das necessidades de muitos passageiros adultos.
Multimídia e Assistência à Condução
A DS suavizou sua filosofia de design gráfico, apresentando mostradores digitais mais simples e uma tela sensível ao toque widescreen de 16 polegadas no centro do painel. Contudo, a preferência por controles virtuais em vez de físicos prejudica a usabilidade.
O pacote de assistência à condução, na versão de entrada, inclui controle de cruzeiro adaptativo e sistemas obrigatórios de monitoramento do motorista e assistência de permanência na faixa. No modelo Etoile de gama média, o DS Drive Assist 2.0 oferece controle de cruzeiro adaptativo com assistente de mudança de faixa semiautomático e o sistema Adaptação Antecipada de Velocidade (A-ISA), que utiliza dados sobre a inclinação da estrada para otimizar a eficiência.
Análise de Desempenho e Consumo
Performance e Desempenho
O posicionamento do DS Nº8 visa impressionar pela facilidade de condução, requinte e conforto descontraído – conceitos que a marca descreve como “hiperconforto dinâmico\”. Com uma aceleração lenta em comparação com a concorrência, o modelo foca em uma dirigibilidade suave e controlada. A regeneração de energia controlável por borboletas no volante e o modo “um pedal\” facilitam a condução, mas as versões mais potentes com dois motores podem parecer destoantes pela urgência exacerbada em detrimento da tranquilidade.
Desempenho (0–100 km/h)
| Modelo | Segundo o Fabricante | Testado |
| :— | :— | :— |
| DS Nº8 FWD 230 Pallas | 7,7 segundos | 8,3 segundos |
| Polestar 4 | – | Consideravelmente mais rápido |
| Tesla Model Y Long Range RWD | – | Consideravelmente mais rápido |
Autonomia e Carregamento
O modelo de entrada oferece uma autonomia real de cerca de 400 km em autoestrada, o que o coloca em posição competitiva com alguns rivais. O Long Range promete aproximar-se dos 480 km em autoestrada, mas ainda precisa ser comprovado. No entanto, o carregamento rápido em corrente contínua é um ponto negativo, com uma média ponderada de apenas 70 kW, notavelmente fraca para os padrões do segmento.
Custos e Operacionalização
Custo Operacional
O preço do DS Nº8 é um fator crítico para a competitividade da marca. Um modelo de entrada, com um único motor e especificações intermediárias, custa pouco menos de £55 mil (aproximadamente R$ 350.000). O novo iX3 40 tem um preço muito próximo, enquanto o Lexus RZ e o Polestar 4 tornaram-se mais acessíveis após cortes de preços recentes. As previsões de valor residual da Autotrader não são animadoras, mas as ofertas de financiamento inicial da DS parecem mitigar o impacto.
Custos Operacionais (Modelo Pallas FWD)
| Modelo | Consumo Declarado | Teste de Consumo em Pista | Teste de Consumo em Viagem | Consumo Médio Testado |
| :— | :— | :— | :— | :— |
| DS Nº8 FWD 230 Pallas | 3,8-4,4 mpkWh | 1,4 mpkWh | 3,3 mpkWh | 3,2 mp