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Geely EX2: O Elétrico que Questiona o Domínio Europeu em 2026
A gigante chinesa Geely, proprietária de marcas icónicas como Volvo e Lotus, além da crescente Smart, está impulsionando sua estratégia agressiva na Europa. Iniciando o ano com um saldo de mais de 6.000 unidades vendidas dos SUVs EX5 e Starray, a empresa não demonstra sinais de desaceleração. Agora, o foco se volta para o mercado de hatchbacks compactos com o lançamento do Geely EX2, um carro elétrico que desafia diretamente o Renault 5 e surpreende com um pacote tecnológico robusto.
Ao longo dos anos, o mercado de carros compactos elétricos assistiu a uma transformação gradual, marcada pela chegada de alternativas acessíveis e eficientes. O Geely EX2 posiciona-se nesse cenário como uma opção que combina um design funcional com uma proposta de valor focada em espaço e tecnologia embarcada. No entanto, a grande questão que permeia o lançamento é se a marca consegue superar o peso da sua origem e criar um produto com a maturidade e o refinamento que o mercado europeu exige.
Visão Geral e Estratégia de Mercado
O Geely EX2 representa um movimento ousado da empresa chinesa. Em um segmento dominado por players consagrados como Volkswagen, Renault e Stellantis, a Geely busca uma fatia do mercado de modelos compactos elétricos, que hoje apresenta modelos como o Renault 5, Mini Cooper e Fiat Grande Panda.
A estratégia da Geely em 2026 é clara: utilizar sua tecnologia de baterias e sua escala de produção para oferecer carros que, embora ainda possam carecer de polimento, são agressivamente competitivos em termos de custo-benefício. Este artigo analisa detalhadamente o Geely EX2, explorando seus pontos fortes e fracos sob a ótica de um consumidor europeu exigente.
Design e Estilo: Uma Identidade que Busca Refinamento
O Geely EX2 é classificado pela fabricante como um hatchback compacto de segmento B, mas sua dimensão de 4.135 mm o coloca em uma posição intermediária, aproximando-o de modelos de segmento C. No mercado europeu, seu concorrente direto em termos de tamanho e proposta é o Renault 5. Sua distância entre eixos, considerável para seu porte, garante um aproveitamento superior do espaço interno, algo que tem sido uma marca registrada dos carros chineses recentes.
O design do Geely EX2 pode ser descrito como funcional e alinhado com a tendência de carros elétricos em 2026. Ao contrário de modelos mais caros com maçanetas embutidas que frequentemente falham, o EX2 utiliza maçanetas convencionais que, embora não sejam retráteis, funcionam de maneira confiável. A tração traseira, uma raridade em carros compactos modernos, permite um posicionamento da motorização que otimiza a distribuição de peso e libera o espaço dianteiro.
A marca investiu significativamente em cores vivas e tons pastéis para o acabamento interno, fugindo do monótono preto que domina a concorrência. No entanto, ao lado de um Renault 5 recém-lançado, o EX2 tende a parecer genérico, faltando um traço de originalidade que justifique um maior custo. O visual é limpo, mas talvez previsível demais para um mercado que valoriza o estilo como diferencial de compra.
O Benefício da Tração Traseira e o Frunk
Um dos maiores trunfos do design do EX2 é a arquitetura de tração traseira. Sem um motor elétrico no eixo dianteiro, o carro conta com um frunk (porta-malas dianteiro) de bom tamanho, proporcionando armazenamento extra. Além disso, a ausência de tração limita o espaço ocupado pelas suspensões dianteiras, permitindo um curso de direção maior e um raio de giro surpreendentemente reduzido. Esse detalhe o aproxima de modelos utilitários urbanos, proporcionando uma agilidade em manobras que muitos concorrentes de porte similar não conseguem replicar. O fato de a Geely ser proprietária da empresa que fabrica os táxis TX de Londres não é coincidência.
Interior: Espaço e Tecnologia, mas com Sacrifícios
O ponto forte do Geely EX2 é, indiscutivelmente, o espaço interno. Com 375 litros de volume no porta-malas traseiro e mais 70 litros no frunk, a capacidade de carga é líder de classe. As portas dianteiras se abrem com ângulos amplos, facilitando o acesso a um habitáculo espaçoso que acomoda adultos no banco traseiro de forma surpreendente – algo que não acontece com o Renault 5.
O banco traseiro é espaçoso para o segmento. Há espaço para as pernas e a cabeça é bem acomodada. O banco do meio, embora não seja o mais confortável para longas viagens, permite a acomodação ocasional de terceiros passageiros. O espaço de carga é modular, com o banco traseiro rebatível em 60/40, ampliando o volume para compras de grandes dimensões ou equipamentos de lazer.
O design do painel, embora melhor que o encontrado em modelos da própria marca chinesa, ainda carece do refinamento europeu. Materiais utilizados são predominantemente plásticos rígidos, que não convidam ao toque. A sensação tátil e o cheiro de material químico, especialmente quando expostos ao sol, são reminiscentes de carros chineses de gerações anteriores. A tecnologia embarcada é um destaque, com conectividade Apple CarPlay e Android Auto sem fio e uma barra de ferramentas personalizável que mantém controles de clima acessíveis. Contudo, a interface nativa apresenta menus confusos e traduções com falhas. Há também um carregador sem fio para celular que não possui sistema de refrigeração, resultando no superaquecimento do aparelho. A presença de um porta-USB tipo A, que está rapidamente se tornando obsoleto, também é notada.
Os Desafios da Ergonomia e dos Materiais
Em uma análise detalhada do interior, os bancos traseiros carecem de suporte lombar e para os coxas. No entanto, a posição de dirigir é satisfatória, ajustável com controles físicos. Para os compradores de carros elétricos em 2026 que valorizam o conforto, a escolha do EX2 pode ser questionável devido à qualidade dos materiais. Em carros de preço similar, como o MG 4 Urban, é possível encontrar acabamentos superiores. A Geely precisa elevar o nível dos materiais para competir com marcas europeias que consolidaram a confiança dos consumidores.
Motorização, Performance e Bateria: Onde a Comparação se Torna Difícil
O mercado de carros elétricos compactos em 2026 valoriza não apenas a eficiência, mas também a performance e autonomia. O Geely EX2 é oferecido em duas configurações de motorização e bateria, que comparam diretamente com a linha do Renault 5.
Opções de Motorização e Bateria
A opção de entrada conta com um motor de 81 cv acoplado a uma bateria de 35,4 kWh, entregando uma autonomia de 252 km (WLTP). Esta configuração posiciona o EX2 como uma opção de entrada no mercado de elétricos urbanos, rivalizando com versões de menor autonomia do Renault 5 e do Fiat Grande Panda.
A versão topo de linha, utilizada na avaliação, utiliza um motor de 114 cv e uma bateria de 47,1 kWh, que entrega uma autonomia de 344 km (WLTP). Esta configuração é mais próxima dos modelos mais caros do Renault 5 e do Fiat Grande Panda.
Desempenho e Aceleração
Embora a versão de 114 cv ofereça um desempenho razoável, com um tempo de aceleração de 0 a 100 km/h em 11,5 segundos, a calibração do acelerador é excessivamente suave, o que pode dar a sensação de lentidão em situações que exigem retomadas rápidas. O sistema de frenagem regenerativa é um dos pontos fracos, sendo muito brusco ao liberar o pedal do acelerador, dificultando a condução suave. Além disso, o carro não possui modo de condução de pedal único, o que pode ser uma desvantagem para motoristas que buscam conveniência em carros elétricos modernos.
A ausência do modo de pedal único força o uso constante do pedal de freio, que nem sempre é tão preciso quanto um sistema de regeneração controlada. A calibração suave da aceleração é uma tática para tentar evitar que o carro saia de frente com a tração traseira, mas o resultado é uma experiência de condução um pouco sem graça.
Direção, Suspensão e Comportamento Dinâmico: Entre a Agilidade e a Falta de Refinamento
O Geely EX2 é um carro que brilha em manobras urbanas, com um ângulo de esterço que permite um raio de giro impressionante, digno de um veículo comercial urbano. A tração traseira, mesmo com baixo torque, permitiria ao carro realizar manobras de derrapagem, caso tivesse potência para tal.
Suspensão e Conforto
Em condições de uso diário, o carro se comporta de maneira adequada. A suspensão é confortável para a maioria das estradas brasileiras, mas não chega a