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Honda Super-N: O Novo Cara Alegre dos Carros Elétricos Compactos no Brasil
O cenário automotivo brasileiro em 2026 continua a testemunhar uma transformação intensa. Com a crescente busca por soluções de mobilidade mais sustentáveis e econômicas, marcas tradicionais e novos players têm apostado alto nos veículos elétricos (VEs). Nesse contexto vibrante, a Honda, conhecida por sua confiabilidade e inovação tecnológica, lança no mercado um veículo que promete balançar o segmento dos carros compactos de entrada: o Honda Super-N.
Inspirado na rica tradição dos “kei cars” japoneses, o Super-N chega como uma alternativa genuína para quem busca um carro pequeno, divertido e acessível. Derivado diretamente do modelo N-One E, comercializado no Japão, o Super-N representa o primeiro grande passo da Honda para conquistar o público brasileiro com modelos elétricos de entrada. Mas será que este carro charm dobrou o sucesso do Honda E em sua primeira incursão no mercado brasileiro?
Neste artigo, vamos realizar um teste de estrada completo do Honda Super-N, analisando se ele tem o que é preciso para brigar com concorrentes como o Renault Twingo e o BYD Dolphin Surf Active. Com um preço sugerido de R$ 94.995,00, o Super-N promete agitar o mercado e reacender a paixão por carros compactos e divertidos de dirigir, algo que faltava no mercado brasileiro há algum tempo.
Design e Estilo: Um Charme Inconfundível
O primeiro impacto do Honda Super-N é seu design. No mundo dos carros cada vez mais agressivos, o Super-N se destaca por sua estética única e encantadora. Diferente de muitos carros urbanos que seguem o padrão “fofo”, o Super-N adota linhas mais robustas e esportivas, sem perder a leveza característica dos kei cars japoneses.
O design remete à história de sucesso dos kei cars da Honda, que começou em 1967 com o N360. O Super-N incorpora elementos retrô do N360, como o formato da grade frontal e os faróis circulares, mas com um toque moderno e esportivo. Os arcos das rodas alargados e os pneus esportivos dão um ar de rally ao carro, transmitindo uma sensação de desempenho e diversão.
Embora o design seja inconfundivelmente um kei car, o Super-N foi projetado para o mercado global e se adapta perfeitamente ao cenário urbano brasileiro. Sua altura de 1608 mm e largura de 1573 mm (sem os espelhos) fazem dele um carro compacto e ágil, ideal para navegar no trânsito intenso das grandes cidades brasileiras. O comprimento de 3600 mm é o mesmo do Honda E e do Renault Twingo RS 133, confirmando que este é um carro verdadeiramente pequeno.
Interior e Ergonomia: Inteligência no Espaço
Ao entrar no Honda Super-N, o que mais surpreende é o aproveitamento inteligente do espaço interno. Apesar das dimensões compactas, o carro oferece um espaço surpreendente para os passageiros da segunda fileira, comparável ao de SUVs maiores. Isso se deve à altura do carro e ao design inteligente dos bancos, que proporcionam um ótimo conforto.
A posição de dirigir é ereta e confortável, com bancos esportivos que oferecem bom suporte lateral. O estofamento macio e a combinação de cores vibrantes criam um ambiente acolhedor e divertido. O painel de instrumentos digital de 7 polegadas possui gráficos simples e discretos, com vários layouts disponíveis. A tela principal do sistema de infoentretenimento é a mesma de todos os Hondas modernos, mas não oferece muitas funções. No entanto, a maioria dos usuários usará o espelhamento de tela do celular (sem fio), que funciona bem e garante conectividade.
O sistema de som Bose com seis alto-falantes é um destaque, proporcionando uma experiência sonora de alta qualidade. Além disso, o Super-N conta com aquecimento nos bancos e no volante, entrada sem chave e controle de cruzeiro adaptativo, características que agregam valor e conforto ao carro. No entanto, alguns usuários podem sentir falta de tapetes de borracha e divisórias, pois os itens tendem a deslizar nas superfícies de plástico rígido.
Motores e Desempenho: Potência para o Dia a Dia
Ao analisar o desempenho do Honda Super-N, é preciso ter em mente que se trata de um carro de entrada, com foco no uso urbano e eficiência energética. O motor elétrico oferece 63 cv nos modos padrão e 94 cv no modo Boost, com uma aceleração de 0 a 100 km/h em 14,5 segundos ou 10,0 segundos, respectivamente.
Apesar da potência moderada, o Super-N se destaca pela agilidade e resposta rápida do acelerador. Em nossos testes, registramos um tempo de 9,1 segundos de 0 a 100 km/h, um resultado impressionante para um carro de sua categoria. O desempenho cai um pouco depois disso, mas o carro se comporta bem em autoestradas de alta velocidade, o que é um diferencial.
O Super-N oferece dois modos de condução: Econ, que suaviza a resposta do acelerador e reduz o ar condicionado; e Sport, que proporciona um som de motor mais encorpado e uma resposta mais direta do acelerador. Ambos parecem dispensáveis, e preferiríamos um modo individual para cada função.
Uma das novidades do Super-N é o modo Boost, que aciona um som simulado de motor e sete marchas. É uma experiência divertida e envolvente, que adiciona uma camada extra de personalidade ao carro. No entanto, alguns usuários podem preferir a experiência de um veículo elétrico puro, sem os ruídos característicos do motor. Esperamos que a Honda possa implementar uma correção de software rápida e introduzir um modo configurável individualmente.
Condução e Manuseio: Diversão ao Volante
O Honda Super-N é um carro que se destaca pela diversão ao volante. Seu tamanho compacto e peso leve fazem dele um carro ágil e divertido de dirigir em estradas sinuosas e urbanas. O eixo de torção traseiro simples e a suspensão bem calibrada proporcionam uma sensação de segurança e agilidade.
A direção tem uma relação de transmissão adequada, com certa precisão logo fora do centro, e fica bem mais firme para que você sinta a aderência do carro. O controle de estabilidade, que não pode ser desativado, corrige bruscamente qualquer derrapagem antes que ela se desenvolva.
O Super-N não tem a compostura e a precisão de um carro de alto desempenho, mas essa não é sua proposta. Em vez disso, ele se destaca pela leveza e agilidade. Não há massa que precise se acomodar nas curvas – o Super-N adere ao solo e faz curvas como um kart. É simplesmente divertido.
O controle de cruzeiro adaptativo é de série e funciona de forma bastante suave, mas só atinge velocidades de até 114 km/h. Como o Super-N foi homologado especificamente para o Brasil (e não para a União Europeia), ele não precisa legalmente de alerta de excesso de velocidade, portanto, não o possui. Ele conta com assistência de manutenção de faixa, que é bastante intrusiva e um pouco mais incômoda de desativar do que deveria ser.
Consumo de Combustível e Custos de Manutenção: Eficiência e Custo-Benefício
O Honda Super-N tem um ponto fraco claro e óbvio: sua autonomia de 206 km (128 milhas) segundo o ciclo WLTP. Felizmente, ele se mostrou bastante eficiente em nossos testes, pelo menos em seu habitat natural. É possível facilmente obter mais de 5,0 mpkWh em condução urbana, embora o consumo de 3,3 mpkWh em viagens longas seja um pouco decepcionante. Em uso misto, 160 km (100 milhas) é uma autonomia realista.
Uma boa velocidade de carregamento rápido poderia ter ajudado a compensar a autonomia curta, mas mesmo considerando que a bateria é pequena demais para suportar uma potência máxima elevada, um pico de 46 kW e uma média ponderada de 36 kW são bastante fracos. Já vimos desempenhos melhores em um Skoda Kodiaq híbrido plug-in.
Precisamos contextualizar tudo isso, pois o Super-N faz parte de uma onda de veículos elétricos de curto alcance com preços abaixo de R$ 100.000,00. O Renault Twingo atinge 253 km, o BYD Dolphin Surf Active 220 km e o Citroën ë-C3 212 km. É uma pena que o Super-N não receba o subsídio para carros elétricos no Brasil, mesmo sendo fabricado no Japão, porque por R$ 94.995,00 seria um ótimo negócio.
Verdito: Um Pequeno Gigante dos Carros Elétricos
Claramente, a autonomia do Super-N e a velocidade de carregamento rápido pouco impressionante limitarão seu apelo. Consequentemente, ele está destinado a permanecer como um segundo carro para viagens curtas até as lojas, a estação de trem e para levar as crianças à escola.
Dentro desse escopo limitado, porém