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DS NO8 2026: O SUV Elétrico de Luxo que o Brasil Ansiava?
O universo automotivo vive uma transformação radical. O que antes era artigo de luxo, restrito a poucos, hoje busca um espaço no mercado popular, impulsionado pela alta tecnologia e pelo desejo do consumidor de se sentir exclusivo. O Citroën DS Nº8, totalmente elétrico e de perfil crossover, surge nesse cenário promissor, prometendo ser o grande catalisador da marca DS no século XXI. Mas será que essa promessa de luxo acessível se traduzirá em sucesso de vendas no competitivo mercado brasileiro de veículos elétricos de grande porte? Este artigo explora os detalhes técnicos, o design sofisticado e a tecnologia embarcada deste modelo que aspira a redefinir o padrão de qualidade e performance no segmento.
A ascensão de um novo ícone automotivo
Em maio de 2026, o grupo Stellantis apresentou o seu plano de reestruturação global, denominado “Fastlane”. Mais do que apenas um anúncio de investimento, este plano representou um verdadeiro divisor de águas na estratégia do grupo. Com mais de 50 bilhões de libras em investimentos distribuídos por toda a operação global, a Stellantis consolidou sua posição como uma das maiores potências do mercado automotivo mundial. No entanto, nem todas as marcas foram beneficiadas por igual nesse cenário.
O plano “Fastlane” estabeleceu uma nova hierarquia de três níveis para as marcas do grupo. Embora nenhuma marca tenha sido oficialmente eliminada, a nova estrutura reconheceu quatro marcas como prioritárias e de importância global: Fiat, Jeep, Peugeot e Ram. Em seguida, foram listadas cinco marcas de nível regional, que são Alfa Romeo, Chrysler, Citroën, Dodge e Opel. Por fim, vieram as marcas restantes.
Essa redefinição hierárquica deixou a DS Automobiles em uma posição de desvantagem clara em relação às suas marcas irmãs. O modelo testado, o DS Nº8, foi rebaixado ao status de marca de “especialidade” de terceiro escalão, gerenciada diretamente pela Citroën. Isso levanta a questão: será que o crescimento internacional da marca ficará limitado e os planos de expansão serão restritos? Apenas o tempo dirá.
O lançamento do DS Nº8 em setembro do ano passado confirmou a estratégia da DS de se consolidar entre a elite premium da Europa. O Nº8, o novo SUV crossover totalmente elétrico da marca, projetado para rivalizar com modelos como o Audi Q6 e-tron e o BMW iX3, é o grande catalisador desse esforço. Agora, ele está pronto para ser submetido ao escrutínio completo dos testes de estrada, e no mercado brasileiro, a expectativa é alta.
O design e o estilo futurista
O design do DS Nº8 é uma audaciosa declaração de intenções. Com uma linha de cintura alta, vidros estreitos e uma linha de teto inclinada no estilo coupé, o veículo se distingue por sua aparência vanguardista e futurista. As luzes de posição em LED, chamadas de “lightblade”, conferem um toque de sofisticação e tecnologia. Para os consumidores que buscam exclusividade, o carro também oferece opções de pintura bicolor e um painel de grade iluminado chamado “DS Luminascreen” nos modelos de acabamento superior.
A pintura Nera Black do modelo de teste, embora elegante, ofuscou um pouco o apelo visual do veículo. No entanto, exemplares em combinações de cores mais chamativas certamente se destacariam em qualquer ambiente. O fato de os designers da DS terem evitado cuidadosamente uma paródia retrô do icônico DS19 de 1955 também merece aplausos, mostrando que a marca está focada em seu futuro e não em seu passado.
No mercado brasileiro, onde a personalização é um fator crucial na decisão de compra, o DS Nº8 tem um grande potencial de agradar aos consumidores mais exigentes. A possibilidade de escolher cores e acabamentos diferenciados confere um toque de exclusividade que o diferencia dos modelos mais convencionais.
O interior: luxo e inovação
O interior do DS Nº8 reflete a filosofia da marca de criar carros que se parecem mais com bolsas de grife e relógios caros do que com carros comuns. Os diversos elementos de materiais mais sofisticados, como couro e detalhes cromados, conferem um toque de requinte distinto. No entanto, também há muitos componentes plásticos com aparência mais barata, o que pode comprometer a sensação de luxo.
O nível de acabamento básico do modelo de teste certamente influenciou essa impressão, mas as áreas do interior que parecem e transmitem uma sensação mais simples e barata certamente ficam abaixo do nível de qualidade de materiais que seus concorrentes normalmente superam. Para o mercado brasileiro, onde o consumidor busca valor pelo seu dinheiro, isso pode ser um fator limitante.
O volante “quártico” é uma das características mais inovadoras do interior do DS Nº8. Com quatro raios diagonais bem definidos, ele confere um toque de requinte e tecnologia. Embora seja inevitável um desafio se acostumar no início, o aro do Nº8 acaba conquistando o usuário. A ausência de raios na posição “quatro horas” proporciona uma pegada mais firme no volante e as “pontas” do aro são mais fáceis de segurar quando você desliza a mão para cima ao redor do aro, preparando-se para uma curva ou manobra.
O sistema multimídia do DS Nº8 também foi reformulado para ser mais intuitivo e fácil de usar. A tela sensível ao toque widescreen de 16 polegadas no centro do painel é mais simples e clara do que em outros modelos DS que testamos nos últimos cinco anos. No entanto, preferiríamos mais controles físicos para aquecimento e ventilação, além de alguns botões de atalho fixos para acesso direto à tela desejada.
A praticidade é um fator importante para os consumidores brasileiros, e o DS Nº8 pode decepcionar nesse quesito. O porta-malas de 620 litros parece generoso no papel, mas na prática é um espaço muito raso, prejudicado pela tampa traseira afunilada. Os bancos traseiros oferecem apenas 720 mm de espaço típico para as pernas e 900 mm de espaço para a cabeça, o que não proporcionará a sensação de espaço suficiente para muitos passageiros adultos.
Motores e desempenho: a busca pelo equilíbrio
O DS Nº8 está disponível em versões com um único motor (tração dianteira) e com dois motores (tração integral). Os modelos de entrada vêm com uma bateria NMC com pouco menos de 74 kWh de capacidade útil e 256 cv de potência. O modelo Long Range com tração dianteira oferece 97,2 kWh de capacidade utilizável e 276 cv, elevando a autonomia declarada para até 750 km (ciclo combinado WLTP). O modelo Long Range com tração integral, topo de linha, possui 370 cv no ‘overboost’ e 510 Nm de torque, com autonomia estimada em até 687 km (ciclo WLTP).
O Nº8 certamente se aproxima dos melhores padrões da categoria, pelo menos em termos de autonomia, mas claramente não estabelece novos padrões. A aposta da DS em inovação na tecnologia de suspensão é uma versão dos amortecedores ativos DS Active Scan, que já vimos no DS 4, DS 7 e DS 9. Estes se ajustam para ficarem mais macios ou mais firmes com base na velocidade, na direção e nos dados de carga da suspensão, além de receberem informações de uma câmera frontal que lê a superfície da estrada imediatamente à frente. Este sistema está presente apenas nos modelos de gama superior, portanto, o carro que testamos não o possuía.
No mercado brasileiro, a autonomia e a performance são fatores cruciais para os consumidores de veículos elétricos. O DS Nº8 pode não ser o carro mais rápido do mercado, mas sua facilidade de condução e requinte compensam essa desvantagem. O modo de um pedal funciona bem e o pedal de freio se move fisicamente à frente do seu pé conforme o carro desacelera, proporcionando uma sensação de controle e segurança.
O conforto e o isolamento da condução são bons, mas nada de extraordinário. O DS Nº8 não inclina, não se desvia ou oscila excessivamente em curvas mais rápidas ou em superfícies onduladas em alta velocidade. Possui direção leve-média, mas mantém um controle discreto e atento aos movimentos da carroceria, resultando em bons níveis de aderência. Em condução urbana, a suspensão é bastante macia e absorve bem as vibrações, embora ocasionalmente apresente uma ligeira tendência a deixar as rodas vibrarem ou ressurgirem. Ao sair da cidade, o carro se comporta bem na estrada e permanece agradável e razoavelmente controlado em estradas rurais.
Consumo de combustível e custos de manutenção
O preço do DS Nº8 no Reino Unido pode tentar evitar que algumas versões derivadas deste carro sejam comparadas com os rivais mais fortes, mas não consegue isso para a maioria. Um DS Nº8 de gama padrão, com um único motor e especificações intermediárias, custa um pouco menos de £55 mil – e o novo iX3 40, também com um único motor, tem um preço muito próximo disso. Cortes de preços recentes tornaram versões equivalentes do Lexus RZ e do Polestar 4 mais